Até os anos 1980, a Educação Infantil era tratada como uma fase anterior à escolarização, e até por isso era chamada de “pré-escola”. Foi a partir da Constituição de 1988 que essa condição começou a mudar, quando se tornou obrigatório ao Estado oferecer atendimento a crianças de 0 a 6 anos de idade.

Mas por que a Educação Infantil é tão importante? Diversos especialistas apontam que as primeiras experiências que temos na vida moldam o nosso cérebro. Para o desenvolvimento pleno, é necessário enxergar a criança como um ser integral e considerar não só aspectos cognitivos, mas físicos, psíquicos, sociais e culturais.

 

A Base Nacional Curricular Comum vem para consolidar a ideia de que a criança é um “sujeito histórico e de direitos” (DCNEI, Resolução CNE/CEB nº 5/2009) e integrar a Educação Infantil à Educação Básica. Neste artigo, você conhecerá as principais mudanças trazidas pela BNCC na Educação Infantil. Confira!

 

Direitos de aprendizagem

 

No texto das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, são definidos os eixos estruturantes das práticas pedagógicas da Educação Infantil. Eles se referem ao seguinte conceito:

 

“Interações e as brincadeiras, experiências por meio das quais as crianças podem construir e apropriar-se de conhecimentos por meio de suas ações e interações com seus pares e com os adultos, o que possibilita aprendizagens, desenvolvimento e socialização.”

 

A partir desses eixos estruturantes, a BNCC define seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento servem para assegurar o acesso à aprendizagem pelas crianças na Educação Infantil.

 

Confira a seguir quais são esses direitos de aprendizagem da Educação Infantil propostos pela BNCC:

 

1. Conviver

 

Envolve o uso de diferentes linguagens para a ampliação do conhecimento do aluno sobre si e o outro. Refere-se à convivência em pequenos ou grandes grupos com outras crianças e adultos.

 

2. Brincar

 

Significa estimular a participação e as transformações capazes de estimular o conhecimento, a imaginação e a criatividade das crianças. Envolve desde as experiências emocionais, sensoriais a cognitivas e sociais.

 

3. Participar

 

Diz respeito à participação de atividades propostas pela escola com outras crianças e adultos. O seu foco principal é a tomada de decisões ao escolher essas atividades e como elas se relacionam com o cotidiano escolar.

 

4. Explorar

 

Envolve a exploração da própria escola e do espaço além dela. Os alunos devem ter contato com histórias, objetos, elementos da natureza, sons e formas distintas em um entendimento sobre as artes, a escrita e a ciência.

 

5. Expressar

 

Refere-se à expressão das próprias ideias, necessidades e sentimentos. As crianças devem aprender a colocar em palavras o que estão sentindo, seus questionamentos e desejos de diferentes maneiras em grupos distintos em que estejam inseridas.

 

6. Conhecer-se

 

Envolve o conhecimento sobre a própria identidade cultural, pessoal e social. O aluno deve entender os grupos aos quais pertence e a diversidade de experiências contida em cada um deles.

 

Campos de experiência

 

Os campos de experiência da Educação Infantil constituem uma organização curricular que busca acolher as situações e experiências do dia a dia das crianças e seus saberes e integrá-los ao patrimônio cultural delas.

 

Veja a seguir quais são os 5 campos de experiência da Educação Infantil propostos pela BNCC:

 

1. O eu, o outro e o nós

 

Esse campo de experiência diz respeito à descoberta de outros modos de vida, pessoas e pontos de vista a partir da interação com os pares e os adultos, além da autonomia e cuidados pessoais. Com isso, as crianças são capazes de construir percepções e fazer questionamentos sobre si e os demais, o que é determinante para a identificação de si próprias como indivíduos.

 

2. Corpo, gestos e movimentos

 

Envolve o conhecimento e o reconhecimento da centralidade do corpo na Educação Infantil, das sensações e funções do corpo e, com gestos e movimentos, identificar suas potencialidades e limites. Aqui, também são vinculadas diferentes linguagens corporais, como a dança, o teatro e as brincadeiras de faz de conta.

 

3. Traços, sons, cores e formas

 

Refere-se a criar, compreender e conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas. Se expostas a essas formas de expressão desde pequenas, as crianças podem desenvolver um senso estético e crítico mais apurado, além de aprimorarem o conhecimento sobre si próprias e a realidade ao entorno delas ao criarem peças culturais inéditas.

 

4. Escuta, fala, pensamento e imaginação

 

Esse campo de experiência está relacionado às experiências em que as crianças possam falar e ouvir, potencializando a sua participação na cultura oral. Isso se dá por meio do enriquecimento cada vez maior do vocabulário, a passagem da fala para a escrita e demais recursos de expressão e compreensão da criança, que devem ser potencializados pela escola.

 

5. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

 

Envolve proporcionar experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno e também ampliar o próprio conhecimento a partir do espaço em que estão inseridas. Também inclui o contato com conceitos matemáticos relacionados ao espaço, como dimensões, medidas e o reconhecimento de formas geométricas, e a relação disso tudo com o cotidiano. 

 

A BNCC causa mudanças em todas as etapas da Educação Básica, então é fundamental se familiarizar com o texto desse documento para adequar seu projeto pedagógico a ele. Continue de olho nos nossos artigos do blog para saber mais sobre o impacto da BNCC no seu currículo escolar.